Signal lança backups criptografados no iOS e desktop

Os backups criptografados doSignalfinalmente avançam para uma experiência multiplataforma mais completa. Com o lançamento doSignal 8.30 para iOS, a plataforma amplia o sistema de cópias de segurança que começou a ser disponibilizado no Android em 2025 e passa a oferecerbackups seguros e backups no dispositivoem Android, iOS, Linux, macOS e Windows.

A mudança é importante porque o Signal historicamente manteve o histórico de conversas armazenado localmente, sem uma solução tradicional de backup em nuvem. Agora, o usuário pode escolher entre manter uma cópiacriptografada no próprio dispositivo ou em uma infraestrutura hospedada pelo Signal, preservando a criptografia de ponta a ponta.

Além da expansão para novas plataformas, a atualização introduzotimizações de armazenamento, melhor gerenciamento dos anexos e suporte mais consistente para migração entre sistemas diferentes. O resultado é uma arquitetura que tenta equilibrar recuperação de dados, praticidade e o modelo de privacidade que caracteriza o Signal.

Como funcionam os novos backups criptografados do Signal

A principal novidade está na possibilidade de escolher onde manter a cópia protegida das conversas. Osbackups criptografados do Signalpodem ser armazenados localmente, em um destino escolhido pelo usuário, ou nosBackups seguros do Signal, serviço hospedado pela própria plataforma.

Os dois modelos utilizamcriptografia de ponta a ponta, mas possuem características diferentes.

No backup hospedado, o Signal administra a infraestrutura necessária para armazenar a cópia criptografada. No backup local, o usuário tem maior controle sobre o destino dos arquivos, podendo utilizar armazenamento local, unidades externas ou até um servidor próprio, como umNAS doméstico.

Essa segunda alternativa é especialmente interessante para usuários de Linux, administradores de sistemas e pessoas que preferem manter os próprios dados sob controle.

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Opção de backup local no iOS
Imagem: Signal

Backups locais no dispositivo sem limite imposto pelo serviço

Os backups locais criptografadosforam disponibilizados inicialmente no Android e agora passam a utilizar um formato multiplataforma também compatível comSignal Desktop e iOS. A atualização reformula o sistema para que os dados possam ser preservados em um destino escolhido pelo usuário.

Na prática, isso significa que a cópia não depende da capacidade de armazenamento oferecida pelo serviço hospedado. O espaço disponível passa a ser determinado pelo meio escolhido pelo usuário, seja o armazenamento interno, um disco externo, um servidor doméstico ou outro destino compatível.

O modelo também abre possibilidades interessantes para ambientes dehome lab. Um usuário pode, por exemplo, manter cópias criptografadas em um armazenamento conectado à rede e realizar sua própria política de retenção.

Existe, porém, uma diferença importante em relação ao serviço hospedado. Como o armazenamento local pode conter vários snapshots, cabe ao usuário decidir quando apagar cópias antigas. Além disso, a mesmachave de recuperaçãopode desbloquear backups anteriores que ainda estejam disponíveis.

Por isso, segurança física e gerenciamento dos arquivos continuam sendo responsabilidades do proprietário do backup.

Backups hospedados e a proteção por ambiente de execução confiável

Os Backups seguros do Signalfuncionam de maneira diferente. O serviço pode armazenar mensagens e arquivos de mídia criptografados, permitindo restaurar o histórico mesmo quando o aparelho original foi perdido, danificado ou substituído.

No plano gratuito, o sistema mantémtodas as mensagens de texto e os últimos 45 dias de mídia. Usuários que precisam armazenar mais arquivos podem contratar o plano pago, que permite manter até100 GB de mídia por US$ 1,99 mensais.

Há ainda uma camada criptográfica adicional na infraestrutura hospedada. O Signal utiliza umachave suplementar que é rotacionada diariamente e protegida por um Trusted Execution Environment (TEE). Essa chave acrescenta uma camada deforward secrecyao armazenamento, enquanto a chave de recuperação do usuário continua sendo a proteção principal necessária para descriptografar o backup.

O Signal também utilizaatestado remotopara verificar o ambiente e confirmar que a chave anterior foi descartada quando ocorre a rotação. Isso reduz a exposição de uma única chave ao longo do tempo.

É importante entender, porém, que o TEE não substitui a chave de recuperação. O próprio desenho criptográfico continua dependendo dela para que o conteúdo do backup possa ser restaurado.

Otimização de armazenamento nos backups criptografados do Signal

Uma das mudanças mais relevantes para quem possui grandes históricos de conversas está no tratamento dos anexos.

Nas versões anteriores, um backup local podia concentrar mensagens e mídia em um único arquivo, fazendo com que snapshots sucessivos ocupassem muito espaço. Agora, osarquivos de mídia são armazenados separadamente, enquanto o banco de mensagens permanece protegido no backup principal.

O sistema também utilizadeduplicação de anexos dentro do backup, evitando manter diversas cópias idênticas do mesmo arquivo quando ele aparece em diferentes mensagens.

Isso pode fazer diferença para quem sincroniza uma cópia criptografada com umHD externo ou NAS, especialmente em históricos com muitas fotos, vídeos e documentos repetidos.

Outra otimização está disponível para quem utiliza os backups hospedados pagos. O recursoOptimize Signal Storagepermite retirar arquivos de mídia antigos do armazenamento local. Em vez de manter a fotografia ou o vídeo completo no dispositivo, o Signal preserva umaminiatura.

Quando o usuário abre o anexo, a versão completa pode ser recuperada do backup hospedado.

Segundo o Signal, um exemplo de 5 GB de mídia não utilizada pode cair para aproximadamente600 MBno armazenamento local depois da ativação dessa otimização.

O sistema também respeita a lógica dasmensagens temporárias. Mensagens de visualização única e mensagens programadas para desaparecer dentro de 24 horas não são incluídas nos backups seguros.

No serviço hospedado, um novo backup é criado a cada 24 horas e o anterior é removido. Nos backups locais, essa retenção não é automatizada da mesma maneira, portanto o usuário precisa administrar os snapshots antigos.

Alerta de segurança e a importância da chave de recuperação

A expansão dosbackups criptografados do Signaltambém aumenta a importância de proteger achave de recuperação.

O Signal utiliza uma chave de recuperação de64 caracteres, gerada no dispositivo do usuário. Ela não é enviada aos servidores da empresa. Sem essa chave, o próprio Signal não consegue descriptografar ou restaurar o conteúdo do backup.

Essa característica é positiva do ponto de vista de privacidade, mas cria uma responsabilidade adicional para o usuário:perder a chave significa perder o acesso ao backup.

O risco deixou de ser apenas teórico. Em maio de 2026, pesquisadores da Malwarebytes identificaram campanhas dephishingnas quais criminosos se passavam pelo suporte do Signal e tentavam convencer usuários a entregar suas chaves de recuperação.

O próprio Signal reforça que solicitações inesperadas porchaves de recuperação, códigos de verificação ou senhas são sinais de phishing. A empresa também recomenda não compartilhar essas informações com ninguém.

A melhor prática é armazenar a chave em umgerenciador de senhas confiávelou em outro local protegido, mantendo uma cópia de emergência sem deixá-la exposta em mensagens, e-mails, documentos públicos ou serviços não confiáveis.

Também é importante desconfiar de mensagens que utilizem urgência, alegações de perda iminente do histórico ou pedidos para copiar e colar a chave em uma conversa. Um backup pode estar fortemente protegido por criptografia, masa segurança deixa de existir se o próprio usuário entregar a chave ao invasor.

Conclusão e os próximos passos do Signal

O Signal 8.30representa uma etapa importante na evolução do sistema de backups da plataforma. A chegada dosbackups locais criptografadosao iOS e a adoção de um formato comum entreAndroid, iOS, Linux, macOS e Windowstornam a migração de históricos muito mais flexível.

Para quem prefere infraestrutura própria, o backup no dispositivo oferece liberdade para escolher onde os dados serão armazenados. Para quem prioriza conveniência, osBackups seguros do Signalpermitem manter uma cópia hospedada e restaurá-la mesmo depois da perda ou substituição do aparelho.

A atualização também resolve parte de um problema antigo: o custo de armazenar grandes volumes de mídia. Comdeduplicação, anexos separados e otimização por miniaturas, o usuário ganha mais controle sobre o espaço ocupado pelo histórico.

Ao mesmo tempo, a nova arquitetura deixa claro que privacidade não elimina a necessidade de boas práticas de segurança. Achave de recuperação é o elemento central para recuperar os dados, e deve ser tratada como uma credencial extremamente sensível.

Para usuários do Signal, especialmente aqueles que trabalham comLinux, código aberto, administração de sistemas e privacidade digital, a mudança amplia consideravelmente as possibilidades de gerenciamento dos próprios dados. Vale atualizar o aplicativo, revisar as opções de backup disponíveis e escolher conscientemente entre armazenamento local e hospedado.

A primeira fase do projeto de backups agora está disponível em todas as plataformas suportadas, mas o próprio Signal indica que o desenvolvimento continuará com outras melhorias no ecossistema.

FONTE: Matéria original

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